Ratos têm invadido apartamentos do Leme. É o que apontam alguns moradores, que destacam que os animais têm chegado pelas janelas. O problema foi identificado em ruas variadas do bairro, indicando não ser algo específico de algum condomínio, e pode oferecer riscos à saúde dos moradores. Em paralelo, o aumento da população deles nas vias públicas é apontado também de Copacabana.

Há registros de roedores entrando em residências nas ruas Roberto Dias Lopes, Gustavo Sampaio, General Ribeiro da Costa, Antônio Vieira e também na Avenida Nossa Senhora de Copacabana – neste logradouro, ao menos dois prédios foram “contemplados” com episódios plurais. Nas redes sociais, há também pessoas relatando episódios na Avenida Princesa Isabel, sem mencionar se na parte deste bairro ou na de Copacabana: “Moro no 11º andar e ele entrou pela janela do banheiro. Quase morri de susto, mas consegui matar ele”, destacou uma moradora. Outra aponta ter visto o animal saindo duas vezes, mas em uma terceira, encontrou produtos roídos em sua cozinha (que não é fechada com janela e sim tem uma sacada na área de serviços),

Apesar de a questão estar concentrada no Leme, há relatos também de invasões em Ipanema; no Posto 6 de Copacabana e na Rua Santa Clara. Em paralelo, o aumento da população dessa espécie em vias públicas também é alvo de denúncias. “Na Rua Edmundo Lins, há tantos ratos que o motor do meu carro já é um ‘Minha Casa, Minha Vida’”, apontou um membro de um grupo de moradores no Facebook. Seu posicionamento não foi o único: “Na Rua Júlio de Castilhos, passam umas ratazanas do tamanho de gatos e gordas. Um horror!”, exclamou outra.

Uma terceira apontou ainda que a situação pode ser crítica: “O problema é nos esgotos e no subterrâneo da cidade. (..). É muito perigoso. A Prefeitura podia fazer um trabalho de desratização pelos bairros da cidade. (…) Me preocupa o que temos abaixo da ponta desse iceberg. Com essa pandemia que enfrentamos, podíamos começar a atentar para as doenças transmitidas por ratos. Já temos grande incidência das causadas por mosquitos”.

A situação é explicada pela bióloga Débora Telles, bacharel e licenciada em biologia ambiental; especialista em gestão de qualidade, saúde, segurança, meio ambiente e sustentável; e guia de turismo responsável pelo Instagram @natrilhacerta: “Com a diminuição na circulação de pessoas, a tendência é que eles apareçam mais. Com as lojas fechadas, eles se sentem seguros em circular”. Questionada se os desmatamentos no Morro da Babilônia, intensificados durante o isolamento social, podem ter contribuído para a concentração dos casos no Leme, ela é enfática: “Com certeza! Isso faz os animais buscarem abrigo em outros lugares. O crescimento desordenado aproxima-os das residências dos humanos”.

Ela aponta, ainda, que o acúmulo de resíduos e lixo pode aproximar ainda baratas, formigas, moscas e mosquitos, também alvos de reclamações nas redes sociais. “São transmissores ou disseminadores de doenças diretas ou indiretas. Com o atual cenário, a população deve fazer o controle dessas pragas. Em condomínios e imóveis comerciais, são necessárias medidas preventivas e corretivas de mitigação. Esse manejo é feito por empresas qualificadas no ramo também em residências. No âmbito coletivo, tem que ser exigido dos órgãos competentes que as políticas de resíduos seja realmente cumprida”, cita, complementando a necessidade de fiscalização do zoneamento urbano. Ela finaliza: “Lembrando que, apesar do nome pejorativo que damos a esses animais, eles só aparecem por causa das intervenções não sustentáveis do homem ao meio ambiente”.