O isolamento social trouxe à população a necessidade de ficar em casa, mas para pessoas em situação de rua, tal determinação tem sido descumprida, apesar de ainda haver vagas disponíveis nos abrigos municipais.  Enquanto a Prefeitura tenta convencer tais pessoas a aceitarem o acolhimento, criando também medidas para minimizar as possibilidades de contágio da COVID-19 entre elas, moradores demonstram receios e queixam-se da presença de tais grupos nas calçadas, aumentando a possibilidade de circulação do vírus e trazendo outros problemas.

“Tem umas pessoas acampadas em frente ao meu prédio. (…) Um homem tosse, tosse, tosse, tosse até vomitar, espirra, ele está muito esquisito. Como se permite que uma pessoa fique em grupo, nessas condições, na rua?”, questionou uma usuária em suas redes sociais, dia 20 de abril. Em outro grupo, a observação foi outra: “enquanto a polícia está toda na praia para evitar que alguém pise na areia, os crackudos se aglomeram na Av. N. Sª de Copacabana, usando suas drogas livremente como se estivessem no sofá de suas residências”. Uma terceira pessoa levantou outra questão: “Moradores de rua, crackudos e alguns delinquentes que se infiltram estão tomando conta de Copacabana. Estão fazendo morada em frente aos comércios fechados. As calçadas viraram repúblicas com três, sete ou dez pessoas morando. Como se já não bastasse estarmos privados do nosso direito de ir e vir por conta da COVID-19, agora também não podemos ir a mercados e farmácias”, mencionou.

Outros comentários apontam outras situações como sexo explícito impedindo o sono dos idosos, devido aos orgasmos; uso de interfornes para fazer pedidos diretamente aos residentes de alguns imóveis, já que é conhecido que eles estão em casa, e até risco de incêndio, já que eles estariam cozinhando nas ruas – em um grupo no Whatsapp, uma moradora da Avenida Princesa Isabel chegou a enviar às autoridades presentes imagens que mostram a fumaça produzida pelo fogo.

Em meio a esta situação, os riscos de contágio também são mencionados. No fim de abril, uma moradora da Rua Almirante Gonçalves encaminhou ao prefeito, por meio da Associação de Moradores dos Postos 5 e 6, uma carta aberta tratando a questão. “Não parece crível que tenhamos pessoas morando e vivendo nas ruas sem qualquer tipo de higiene necessária e imprenscindível para combater o COVID-19. (…) Não conseguimos entender que toda e qualquer medida decretada pelo estado ou município possa surtir qualquer efeito se não englobarem o acolhimento compulsório das pessoas em situação de vulnerabilidade social, pois na rua jamais conseguirão ter o número de higiene necessária para o combate à doença, oferecendi risco para ri e também tornando-se vetores de contaminação”, aponta o material.

Atualmente, essa ação é proibida devido a um TAC firmado entre a Prefeitura e o Ministério Público. Ainda assim, as equipes da Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos (SMASDH) seguem fazendo abordagens nas ruas. A assessoria do órgão informa que entre o início de março e até 10 de abril, conforme os dados disponíveis até o fechamento dessa edição, foram feitas 953 contatos, que resultaram em 400 encaminhamentos para abrigos ou serviços comoretirada de documentos, tratamento de saúde, entre outras ações. No mesmo período, foram distribuídos 1.892 kits de higiene, sendo 380 no bairro. Em paralelo, foram abertas 555 novas vagas nas unidades já existentes e em locais como o Sambódromo e ainda sobravam 290.