Há cinco anos, o Centro Esportivo Enseada reúne praticantes de futevôlei, beach soccer e futebol de 11 na Praia de Botafogo. O grupo, fundado e coordenado por Júlio Azevedo, promove partidas no turno da noite, facilitando a presença de quem trabalha ao longo do dia. Além disso, semanalmente é oferecido um projeto social no qual adolescentes de comunidades próximas são inseridos na rotina das atividades.

Azevedo, que também é diretor esportivo do G.R.E.S. São Clemente, inicialmente planejou uma turma de beach soccer feminina. A masculina veio depois, assim como a inserção de jovens entre 11 e 18 anos moradores do Santa Marta, do Tabajaras, do Morro Azul e de outras comunidades próximas. Atualmente, 50 participantes atendem a esse perfil. O treinamento deles acontece às terças, nos horários em que o projeto é oferecido (as aulas, com uma hora de duração, são realizadas às 17h30m, às 18h30m e às 19h30m). “O esporte trabalha a parte física e a mental também. Jogando, eles atuam em equipe”, aponta o coordenador.

O beach soccer do Centro Esportivo Enseada funciona como a base do time da São Clemente: o que se destacam competem por este outro grupo. Essa escola de samba é a única do grupo especial a manter um projeto esportivo, o que remete à origem da própria agremiação – seus fundadores eram jogadores do São Clemente Futebol Clube. “Sempre tem uma ajuda para o projeto. O presidente dá um respaldo legal para o projeto. Se não é financeiro, é material”, elogia Azevedo. Essa ajuda, no entanto, é a única recebida pelo grupo, que não conta com nenhum outro apoio.

“Precisamos de dinheiro para a manutenção, para aparatos maiores de segurança… Seria bom também um ponto água, que poderia ser até de poço artesiano. Isso seria muito bacana!”, sugere um dos colaboradores do projeto, Dom Alves, explicando que, diferente de outras praias, a de Botafogo é imprópria para banho (segundo o Inea, desde 2000 seu mar é qualificado como “péssima” devido à quantidade de coliformes fecais e de bactérias do tipo Enteroccus, que podem causar desde infecções diversas a meningite).

Dom esclarece que apesar da cobrança de mensalidade, não há alunos o suficiente para custear todas as necessidades do grupo, o que também atrapalha o futebol. “O time sofre com a debandada. Não pagamos aos jogadores e a maioria recebe proposta de outros times após os campeonatos”, afirma. Esses convites acontecem devido ao bom desempenho da equipe: em 2016, ela foi campeã no Campeonato Carioca de Beach Soccer (categoria aspirante) e em 2017, vice, sempre em nome da São Clemente. Apenas quando os eventos envolvem o futevôlei que o nome do Centro Esportivo Enseada é preservado – o grupo se reúne para esta modalidade todas as terças e quintas, nos mesmos horários do projeto social.

Para participar, basta chegar no local e se inscrever. A estrutura é montada na própria areia, em frente ao Edifício Argentina (Praia de Botafogo, 228), onde há uma passarela subterrânea.