A necessidade de isolamento social fez com que as pessoas ficassem em casa. Para muitos, isso implicou apenas na perda da liberdade. Para muitas mulheres que vivem relacionamentos abusivos, significou passar mais tempo com seus agressores. Visando ajudá-las com informações e apoio, o projeto Justiceiras formou uma enorme rede via Whatsapp, onde voluntários de áreas diversas atuam diretamente com a vítima, fornecendo-lhes o que for necessário naquele momento. Os atendimentos são obtidos no número (11) 99639-1212.

A iniciativa, composta por uma rede de mulheres voluntárias em áreas como Psicologia, Assistência Social, Direito e Medicina, visa conectá-las às que estão em casa sofrendo. “É uma questão de sororidade e empatia. Forma-se uma rede de apoio e acolhimento”, analisa o gerente de projetos do Instituto Nelson Wilians, William Ruiz – o projeto é uma parceria entre  esta entidade e os grupos Bem Querer Mulher e Justiça de Saia. Os três atuam nessa causa, de maneira complementar, o que deu origem ao atual trabalho.

Foram conectadas mais de 700 voluntárias disponíveis para realizar o trabalho de orientação, minimizando a necessidade de a vítima sair para procurar ajuda.  “Um dos propósitos é dar orientação para essa mulher que passou por uma violência: o que ela tem que buscar, o que ela tem que fazer, qual o processo necessário para ela sair desse ciclo de violência, mas também contribuir para a diminuição de pessoas na rua. Assim, ela não precisa ir a uma delegacia somente tirar dúvidas que ela pode esclarecer na orientação online e aí sim, se necessário, fazer o boletim de ocorrencia e a notificação judicial. A ideia não é deixar que a violência seja esquecida ou subnotificada, mas também contribuir para que as mulheres sejam melhores orientadas e saibam que há uma rede de apoio que pode ajudá-la nesse momento”.

Atualmente, há voluntárias em todos os estados do Brasil, o que garante atendimento conforme a realidade de cada pessoa. Após o contato inicial, a mensagem é encaminhada a alguma das líderes daquela área, que, então, repassa o conteúdo para alguma profissional da mesma região onde a vítima vive. Dessa forma, é possível aconselhá-la de acordo com a sua realidade e indicar lugares onde ela pode pedir ajuda. “Está se formando uma rede que articula todo esse movimento no Brasil”, finaliza Ruiz.