A queda de um banco de concreto, no Leme, evidenciou um problema que põe em risco os usuários desses equipamentos. Conforme noticiado na edição 526 do Jornal Posto Seis, a armadura metálica de diversos encontra-se severamente comprometida devido à ação da maresia. Apesar de ser necessária análise do Inepac para realizar qualquer intervenção neles, desde a publicação da reportagem anterior alguns tiveram a parte estética melhorada pela Prefeitura, o que camuflou o perigo.

Na outra publicação, o engenheiro civil Hebert Houri antecipou que as chances de colapso eram altas, visto que a cobertura quebrada deixava exposta a parte metálica, degradada devido à proximidade com o mar. “O aço corroi e a armadura desgasta, perdendo sua resistência de tração. Quando não ocorre esse conjunto tração/compressão, a estrutura de concreto tende a ruir e desmoronar”, alertou, apontando ainda que o nível de comprometimento de muitos dos bancos era tão grande que, em sua visão, sairia mais barato a Prefeitura trocá-los em vez de realizar reparos.

Na mesma ocasião, a Prefeitura informou ao Jornal Posto Seis, por meio da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, que os bancos fazem parte do desenho paisagístico de Roberto Burle Marx tombado pelo Inepac conforme processo nº 18/000.030/1991. Por se tratar de um bem tombado, toda e qualquer intervenção estaria sujeita, previamente, a análise de projeto pelo órgão. A fiscalização ficaria a cargo do próprio órgão e da Prefeitura do Rio, enquanto a conservação e manutenção dos equipamentos ficam com o governo municipal.

Nas redes sociais, é possível ver imagens de profissionais da Secretaria Municipal de Infraestrutura, Habitação e Conservação concretando a cobertura de alguns deles tanto na Praça Almirante Júlio de Noronha quanto na Avenida Atlântica. Ao mesmo tempo que tal serviço é necessário para corrigir pequenos danos, ele camufla os riscos quando a estrutura está ameaçada – no Leme, por exemplo, a equipe do Jornal Posto Seis registrou uma unidade que, em março, estava com a armadura visível, oxidada e até rachada, e, em abril, visualmente perfeita, apesar de não ter sido realizada nenhuma intervenção na armadura

As quedas de bancos não são novidade no Leme. Em fevereiro de 2018, a lateral de outro perto da Avenida Princesa Isabel ruiu. Em janeiro de 2019, outro banco instalado nas imediações da Rua Anchieta também ruiu, deixando vergalhões à mostra.