Após os transtornos causados pelo espetáculo de abertura do carnaval, no dia 12 de fevereiro, o prefeito Marcelo Crivella recebeu parte da liderança comunitária da Zona Sul para uma reunião no Palácio da Cidade. O encontro foi pautado pelo acontecimento e pelos problemas causados pela passagem de grandes blocos pela região, situação que, há muitos anos, vem sendo discutida em reuniões variadas. Por fim, foi acordado que o cronograma de apresentações seria revisto, impedindo a passagem de dois megablocos pela área no mesmo dia.

     “Recebi a visita dos presidentes das associações de moradores da Zona Sul do Rio de Janeiro, preocupados com os eventos que ocorreram após o show em Copacabana. A pedido deles, estamos revendo o calendário de aprovação dos blocos na Zona Sul do Rio de Janeiro. (…) Uma coisa já decidimos: no dia em que tiver um megabloco, nesse dia só terá o megabloco. Não pode ter muitos outros blocos, porque isso não é possível. Os blocos pequenos, com a ajuda deles, vamos estabelecer o calendário”, prometeu Crivella, segundo informações publicadas no site da Prefeitura.

     A decisão, apesar de comemorada pelos presentes, vai na contramão dos pedidos dos moradores, que, há alguns anos, solicitam a transferência de todas os grandes desfiles para regiões adequadas para recebê-las como o Centro, o Sambódromo ou até o Parque Olímpico, que não trariam grandes impactos aos vizinhos ou por não serem residenciais ou por serem projetadas pra grandes eventos. A discussão ganhou forças em 2018, quando a Secretaria Municipal de Ordem Pública promoveu uma reunião, na sede do Centro de Operações Rio, para tratar do assunto. “Vimos que, na Avenida Atlântica, não cabia aquela quantidade de pessoas (referindo-se ao Bloco da Favorita). As pessoas não podiam sair de suas casas por causa dos embriagados em suas portarias”, comentou o então secretário Paulo Amendola.

     Naquela data, um representante do órgão apresentou imagens que mostravam na Zona Sul, pessoas em cima de banheiros químicos no Flamengo e vídeos comprovando a falta de higiene por parte dos usuários do metrô, que além de urinarem nas estações, entravam nas composições limpas e deixavam-nas imundas. Foi ainda exibida uma planilha que comparava o número de pessoas esperadas em cada bloco, conforme descrito pelos responsáveis à Prefeitura, e a quantidade de público estimada pela Polícia Militar: naquele ano, o Simpatia É Quase Amor (Ipanema) levou às ruas 450 mil foliões, 150 mil a mais que o estimado; a Banda de Ipanema (Ipanema), 300 mil em vez dos 200 mil esperados (apesar da estimativa mostrada, a listagem divulgada em janeiro pela Riotur apontava que o público desta seria em torno de 80 mil) e o Bloco da Favorita (Copacabana), 380 mil contra 200 mil previstos – os presentes contrariaram tal número, garantindo haver mais de 1 milhão de pessoas na orla.

     Em 2019, os megablocos de grandes proporções foram vetados em Copacabana, o que, segundo o então gerente do Rio + Seguro, Lucio Flávio Baracho, resultou em um carnaval tranquilo, sem registro de arrastões ou grandes inconformidades. Ainda na mesma reunião do Conselho Comunitário de Segurança Pública, o representante da Unidade de Ordem Pública do bairro, Inspetor Pereira, destacou o sucesso do carnaval e atribuiu o êxito aos esforços da população em afastar os possíveis inimigos, sem esclarecer quais eles seriam, mas no contexto de elogios aos presidentes de associações de moradores que lutaram contra a realização do único megabloco que tentara desfilar no bairro naquele ano.

     Em contrapartida, o cenário nas localidades vizinhas foi caótico. Em Ipanema, foram registrados roubos em série, arrastões e tumulto. Vídeos mostram que houve casos de pedestres espancados por meliantes. No Leblon, um tiroteio na Rua Afrânio de Melo Franco resultou em dois policiais feridos, além de um supermercado ter sido saqueado.

     Até o fechamento dessa edição, a programação dos blocos autorizados pela Riotur ainda não havia sido divulgada.