Enquanto cidades brasileiras como São Paulo, Manaus e Fortaleza experimentam um exponencial crescimento econômico, o Rio de Janeiro amarga uma das piores posições nessa instância. A queda na arrecadação não nos coloca apenas em um dos últimos lugares do ranking dos municípios mais populosos do Brasil (O Globo, edição de 30 de dezembro de 2019) mas expõe a dificuldade em manter serviços básicos como saúde, educação e transporte para a população carioca.

   A informalidade na economia é apontada como um dos motivos para a queda da receita. Porém, o conjunto de diversas crises associado a equívocos administrativos asfixiou a capacidade de investimento da cidade em projetos que tragam retorno para o caixa. A educação na primeira infância é uma das propostas que deveria constar como prioritária ao município. Esse setor é fator fundamental para o desenvolvimento econômico.

   O Governo Federal poderia ajudar, em um primeiro momento, o município a resgatar a ideia do projeto dos Centros Integrados de Assistência à Criança e ao Adolescente (CIAC), criado na década de 1990 (inspirado nos projetos Escola Parque e CIEP) nas comunidades carentes. A necessidade de atenção à criança de 0 a 6 anos, construindo valores profícuos em consonância com uma conscientização da participação comunitária, é improtelável para o próximo governo. São resultados que demoram até mais que uma geração mas não podemos mais protelar e sermos sufocados por uma cultura belicosa que vem se formando.

    Outro fator preponderante para o desenvolvimento econômico é criar facilidade no transporte público. Os bairros que geravam alto rendimento de impostos Sobre Serviço (ISS) e Sobre Mercadoria (ICM), como Copacabana, foram transformados em corredores viários, fazendo-os perder a essência da urbanidade. A implantação do BRS na Avenida Nossa Senhora de Copacabana, Rua Barata Ribeiro e Avenida Princesa Isabel, com o intuito de otimizar o transporte coletivo através de corredores preferenciais e paradas escalonadas, retirou das ruas o morador que mantinha uma rotina de consumo. As distâncias criadas entre os pontos, a falta e incorreta sinalização dos destinos aliada à supressão de investimento no treinamento dos funcionários das empresas de ônibus criou uma debandada do usuário de lazer.

   A implantação do projeto Rio + Seguro Copacabana, que completou dois anos de sucesso em dezembro de 2019, foi muito bem-vinda e teve aprovação dos moradores. Porém, como toda proposta de repressão, deve vir acompanhada de planos de socialização, o que, infelizmente, não acontece. A assistência social e o policiamento continuam amarrados em leis que os impedem de agir e a falta de investimentos em equipamentos contribuem para o eterno “enxuga gelo” mencionado pelas próprias autoridades nas reuniões comunitárias.

   É preciso acabar com a cultura do imediatismo na política brasileira. A reconstrução do ensino público, dando oportunidade a todas as classes sociais e estimulando a disciplina, assim como a reorganização e o incentivo a capacidade empreendedora carioca, através dos serviços, comércio, turismo e indústria, precisam ser as grandes propostas dos administradores municipais.