Desde que o isolamento social teve início, ao menos quatro grandes incêndios em Copacabana ganharam destaque nas redes sociais. As proporções de cada incidente geraram enorme repercussão, além de comentários onde outras pessoas que demonstravam o medo de viver situações semelhantes. Visando ensinar como minimizar os riscos, o presidente da Sociedade de Engenharia de Segurança do Estado do Rio de Janeiro (Sobes Rio), Fernando Lima, que também vive no bairro, listou uma série de ações que podem ser tomadas para prevenir possíveis ocorrências.

“Existem várias causas para incêndios”, aponta, alertando um perigo das regiões litorâneas:. “Copacabana tem muita maresia, o que gera muito zinabre (crosta verde ocasionada após a oxidação de algumas ligas). Aparelhos de ar condicionado, por exemplo, são ligados só no verão. Depois, ficam desligado seis, sete meses. Às vezes, forma uma camada na tomada e quando eles voltam a ser ligados, pegam fogo e todos dizem ser do equipamento, mas não foi: foi a maresia”. Por isso, ele aconselha a desconectar das fontes de energia todos os dispositivos sem uso recorrente.

“Se usar os aparelhos, não tem problema (mantê-los na tomada) devido à troca de energia durante o consumo. Não preciso tirar o microondas da tomada porque uso ele sempre, mas se deixar ele alguns meses parado, pode ser perigoso. Estamos muito perto da praia. O problema é muito grande e as pessoas não acreditam. Às vezes, pode ser apenas uma televisão. Se deixar ela por um ano na tomada, sem usá-la, e ligar, pode acarretar em um incêndio sem querer”, alerta. Apesar de destacar esse problema, o especialista aponta que alguns aparelhos, como splinters, não oferecem esse tipo de risco: “é outro tipo de ligação. A energia vai direto para o disjuntor, sem necessidade de tomada. Não há o espaçamento (milimétrico) entre os pinos macho e fêmea. Eles não ficam oxidando, criando a crosta”. 

O especialista aponta que instalações elétricas mal feitas ou sem manutenção também podem oferecer riscos. Por isso, ele sugere que, em caso de dúvidas, seja contratado um engenheiro eletricista para avaliar a situação, mas uma simples observação já pode indicar alguma urgência “No momento que você abre o quadro de luz, pode ver se os fios estão pretos, se o disjuntor está com muita corrosão… Se não há nada queimado ou ofuscado, se os parafusos não estão pretos e enferrujados, não há necessidade de alerta, mas o profissional vai ver se é necessário manutenção ou até reforma”, analisa. Lima complementa que, às vezes, tudo parece correto, mas um cabo solto provoca centelhas, que podem resultar em um incêndio. “Isso é a coisa mais comum que tem porque as pessoas não fazem a manutenção”.

Os PCs de energia dos condomínios também podem camuflar o perigo: “Tem que ter o dimensionamento correto”, explica, mencionando um exemplo presenciado por ele: “Fui em um prédio e olhei. Todos os disjuntores eram de 70 amperes. Isso está errado. Os residenciais devem ter 40 ou 50. O que tem mais carga é o trifásico. É ruim botar algo acima da capacidade. Se você tem capacidade de 50 amperes, na hora que fecha um curto, ele desarma. Se boto acima disso, não. O fio  esquenta e pega fogo”.

Outra questão levantada é o ato de ligar diversos aparelhos em uma mesma tomada usando multiplicadores como benjamins, medida muito adotada em muitos apartamentos de Copacabana, visto que muitos imóveis antigos possuem poucas unidades delas. “Isso não é bom porque elas são dimensionadas para um equipamento”. Se for necessário obter mais fontes de energia, o aconselhado é usar réguas com fusíveis, popularmente chamadas de filtros de linha: “Se sobrecarregar, o fusível abre, mas nem isso é aconselhável porque cada equipamento tem um consumo de corrente”, avisa.

O presidente da Sobes Rio finaliza esclarecendo que há várias possíveis fontes de incêndio, desde uma vela deixada acesa até a falta de manutenção do aquecedor de água.  “Você tem um aparelho antigo. Os canos também são. De repente, falta água no prédio. Quando volta, cheia de resíduos, isso se deposita no aparelho. Se não mandar limpar, pode acontecer uma explosão”, conclui, frisando que a manutenção de aspectos diversos da residência previne acidentes.

Sobre Fernando Lima: Engenheiro operacional eletrônico, eletricista e de segurança do  trabalho, formado pela Universidade Santa Úrsula e especializado pela Universidade Cândido Mendes.  Especialista em telecomunicações e energia Elétrica. Trabalhou nas Indústrias Nucleares do Brasil por 10 anos. Foi conselheiro do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio de Janeiro e do Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia do estado do Rio de Janeiro, além de também ter sido diretor administrativo da Associação Brasileira de Engenheiros Eletricistas. Atualmente, além de presidente da Sobes Rio, é conselheiro do Clube de Engenharia, diretor técnico da Coltel Telefonia Ltda., perito judicial do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região e do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, além de presidente do Conselho Comunitário de Segurança de Copacabana e do Leme.