Roberto Motta (Foto: Divulgação)

Na madrugada de 31 de julho, um estabelecimento tradicional de Copacabana foi furtado. Se não fosse a ação da polícia, que recuperou, dentre diversas mercadorias, o módulo gaveteiro da caixa registradora lacrado, a loja em questão entraria para as estatísticas como mais uma vítima desse tipo de ocorrência, recorrente nas ruas do bairro. Apenas no primeiro semestre de 2020, foram registrados 24 roubos, número que, ainda que expressivo, é bastante menor que o total no mesmo período dos anos anteriores (37 em2019 e 70 em 2018). Para falar sobre o problema, que desanima ainda mais o comerciante, o especialista em segurança pública Roberto Motta conversou com a equipe do Jornal Posto Seis e apresentou possibilidades que poderiam ser adotadas para estimular o comércio em meio a este cenário.

“Os principais desafios são os crimes de rua. Apesar da redução, pois com a pandemia, havia pouca gente nas ruas, eles são sempre uma ameaça aos comerciantes”, aponta. Em sua visão, seria possível criar condições propícias à ordem, diminuindo a probabilidade dessas ocorrências. “A melhor forma é manter atividades
econômicas produtivas por maior tempo possível. Uma ideia muito boa é manter as lojas abertas até mais tarde, para ter mais gente nas ruas e, consequentemente, iluminá-las melhor. Copacabana deveria ser muito melhor iluminada. Isso coloca pessoas na rua”. Atualmente, em muitas das ruas, a luminosidade proporcionada pelos postes é insuficiente para clarear as calçadas. Tal questão torna-se evidente após o horário de funcionamento do comércio, quando as luzes dos estabelecimentos são apagadas e as grades metálicas impedem a visualização das vitrines, que, se mantidas acesas e tampadas com proteções que permitam a visualização, como os modelos pantográficos vazados, poderiam, além de divulgar os produtos expostos, contribuir com o alumiar das vias públicas.

O especialista continua: “Com as lojas abertas, você chega em casa, pega sua família, sai para jantar, fazer compras, ver vitrines… Lógico que, para que isso ocorra, o policiamento de rua precisa ser reforçado, processo que já começou com o Segurança Presente. Se a gente entra com a ponta da atividade comercial produtiva, pode-se criar um ciclo virtuoso: mais movimento nas ruas, mais empregos, mais negócios, mais recolhimento de impostos, mais apoio às atividades policiais. Com isso, Copacabana e toda a Zona Sul começariam a renascer e a sair desse ciclo negativo de críticas por abandono”.

Motta associa essa sensação de insegurança diretamente à população em situação de rua. “A verdade é que quando você examina as pessoas que estão ocupando as ruas, verifica que são vários grupos distintos. Dentre eles, alguns criminosos. O Segurança Presente eventualmente prende alguns com ficha criminal ou foragidos
de penitenciária. Além disso, há os usuários de drogas, que aqui em Copacabana teve crescimento mais que explosivo com a popularização do crack. Há também o pessoal que tem problemas mentais e deveria estar em instituições apropriadas, e um pequeno número de pessoas com problemas financeiros, que estão ali por desemprego ou questões pessoais, sem alternativa”.

Ele ainda aponta que os menores de idade também contribuem para esse sentimento de insegurança: “Eles gozam, de acordo com a nossa lei, de uma impunidade praticamente garantida. Vejo o drama, por exemplo, dos seguranças de supermercados. Eles veem o garoto de 14 anos correndo com as mercadorias e pouco podem fazer”, conclui.

A ideia da abertura do comércio de rua até mais tarde segue um antigo projeto da Associação Comercial de Copacabana (Ascopa), o “Copacabana Open Mall”, um conceito de shoppping a céu aberto, valorizando e incentivando o desenvolvimento do bairro. Na ocasião da implantação, em meados da década de 1990, as lojas seguiriam de portas abertas até às 22h, de segunda a sexta, e até às 18h, aos sábados