O isolamento social afetou não apena a rotina dos humanos, mas também dos cachorros. Habituados a sair às ruas para fazer necessidades e se socializarem, eles viram seus passeios serem modificados em sequer compreender a razão das alterações.

“Reduzimos muito as saídas, porém, quando saímos, buscamos ruas com pouco trânsito de pessoas. Fazemos caminhada mesmo, evito parar em algum lugar para elas não se deitarem no chão. Ao chegar em casa, coloco a peitoreira e a guia em uma solução com hipoclorito (substância presente na água sanitária) e água, lavo as latas delas e passo um banho a seco à base de álcool em gel”, comenta o tutor Egberto Vital, responsável por duas cadelas.

          Já Paula Kern, que costumava ir à rua com apenas uma, optou por suspender os passeios: “Ela é muito boazinha e adora ganhar carinho, então enquanto tento andar, ela fica em duas patas chamando qualquer um que esteja passando na rua para ‘falar’ com ela. Muita gente chega por trás e não sei se essas pessoas tiveram contato com o vírus. Não sei se estão contaminadas, mas ainda assintomáticas. Ela não fica doente por isso, mas pode trazer o vírus para casa e moramos com duas pessoas em grupo de risco. Considerei lavar o pelo dela com banho a seco após voltar da rua, mas a veterinária contraindicou”, aponta, mencionando que conhece pessoas que têm saído com seus cães em horários mais tarde, por volta das 23h, mas que se sente insegura em descer com a rua tão vazia.

A veterinária da farmácia de manipulação DrogaVET Andressa Felisbino reforça que os animais podem sim carregar baixa carga viral por meio dos pelos e patas, caso sejam expostos a um ambiente contaminado. Por isso, ela sugere que os donos acrescentem aos cuidados diários a higienização completa deles com lenços umedecido – os antissépticos são os indicados, diferente dos usados em bebês, e eles podem ser encontrados nas principais farmácias.

“A rotina deve continuar a mesma. Banhos uma vez por semana ou a cada quinze dias, conforme a necessidade”, aponta, destacando que quem optar por fazer isso em casa deve ficar atento para prevenir problemas de saúde: “É importante ter cautela com a água próxima à região dos ouvidos e secar os pelos corretamente para evitar dermatites, infecções e proliferação de fungos”, orienta. Além disso, ela reforça que é necessário limpar o ambiente onde o animal vive, se possível, uma vez ao dia: “Para a casa em geral, recomendamos que seja feito o uso de produtos a base de hipoclorito de sódio, popularmente conhecido como água sanitária, mas evitar usá-la nos locais onde o pet fica acomodado por mais tempo. Nesses locais, a recomendação é para que a limpeza seja feita apenas com amônia quaternária”, explica Andressa. O produto possui baixa toxidade e pode ser encontrado facilmente em pet shops.

Andressa chama atenção ainda para  a possibilidade de esse novo cenário ocasionar em estresse para os bichinhos, apesar de a maioria adorar a família reunida. “Diante do longo período de isolamento, alguns podem vir a desenvolver ansiedade, estresse ou, até mesmo, depressão. É preciso estar atento ao comportamento deles  aos prováveis sintomas”, alerta a profissional, informando que, no caso da depressão, os principais indícios são tristeza profunda, falta de apetite e a rejeição ao toque físico. “Já o animal com estresse pode apresentar coceira constante, perda de apetite, diarreia, respiração ofegante e agressividade”, pontua a veterinária.