Passado mais de um mês após a tempestade que atingiu o Rio em 8 de abril, duas ruas do Leme ainda são afetadas pela lama despejada naquela data. O material desceu da encosta do Morro da Babilônia e desde então, ainda pode ser visto em alguns logradouros, que se tornam escorregadios em dias chuvosos.

        A Rua Aurelino Leal, no trecho entre as ruas Anchieta e Gustavo Sampaio, foi uma das afetadas pelos resíduos do desmoronamento. Segundo alguns trabalhadores da região, a lama chegou por uma galeria de águas pluviais. Imediatamente, diversos trabalhadores da área se juntaram e fizeram a raspagem, mas apenas esses resíduos foram retirados. “A Comlurb levou o que a gente raspou, mas não lavou. Desde então, em qualquer chuvinha vira um lamaçal. Quando tá seco, fica com muita poeira”, aponta um porteiro, complementado por outro: “Se não fosse a gente se juntando para limpar, ninguém faria. Aquele Monza está atolado ali”, cita, mencionando o carro estacionando na esquina da Rua Anchieta. Minutos após a visita da equipe do Jornal Posto Seis, um caminhão da empresa de limpeza passou lavando o trecho da Rua Gustavo Sampaio entre a Praça Almirante Júlio de Noronha e a Rua Martim Afonso, mas mais uma vez não desempenhou o serviço no logradouro que mais o precisa.

       Tal situação é semelhante à da Rua Roberto Dias Lopes. Esta foi a que mais sofreu transtornos, já que um pedaço da encosta do morro desabou atrás da vila de número 98 e dos edifícios Elias Ibrahim Maleh, no 94, e Estrela do Leme, no 100: “(o desmoronamento) atingiu a garagem. Tiraram quase 30 caminhões de lama de lá de dentro. Estava tudo muito sujo. Todo mundo passava aqui reclamando. A rua está muito precária. Há muita poeira e muitos buracos”, queixa-se um funcionário deste último endereço, referindo-se também aos desníveis no asfalto, que formavam poças de resíduos.

       A lavagem aconteceu apenas um mês após o desmoronamento, mas ainda assim, a sujeira também é vista concentrada no meio fio e em outros pontos. Antes, o lamaçal ocupava toda a extensão da via sem saída, tornando-se ainda mais denso na entrada da vila e perto do fim da via sem saída. Após a ação da Comlurb, a maior parte dos resíduos foram removidos, mas, assim como ocorre na Rua Aurelino Leal, também impedem a travessia de pedestres em pontos diversos. “Está complicado”, comenta um morador da área. Antes de sua fala, foi presenciada a dificuldade de uma mulher inteiramente vestindo branco passar pelo acesso ao casario do local e de outra que tentava andar acompanhada por duas crianças pequenas, escolhendo os pontos mais secos para pisar.

      Após o temporal que atingiu a cidade na madrugada de 15 de maio, a equipe do Jornal Posto Seis voltou aos dois endereços. Na Rua Rua Roberto Dias, as poças também enchiam o meio fio e o entorno das vagas, principalmente em frente ao 80 e à vila, mas no outro lado da rua: embaixo de um carro estacionado, a lama grossa atingia alguns centímetros de altura. Já na Rua Aurelino Leal, o cenário foi diferente do relatado pelos porteiros, mas a lama também estava lá. A concentração maior era no meio fio, perto da esquina da Rua Anchieta: ali, os detritos ocupam uma área tão grande que impedem que pedestres atravessem para a outra calçada. Consultada, a Comlurb informa ter realizado raspagem do primeiro endereço logo após o temporal de 9 de abril, mas que a grande quantidade de veículos estacionados dificultou a limpeza completa da via até o dia 8 de maio. Em relação à Rua Aurelino Leal, não houve respostas até o fechamento desta edição.