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Jornal de Bairros

Jornal de Bairros

Fundamentado na questão da necessidade de se ter material que abranja a mídia comunitária, principalmente no impresso, qualquer trabalho que surja de um jornalista que conseguiu ter a experiência de trabalhado em algum jornal de bairro é fundamental para mergulharmos na questão do aprendizado e da importância para a sociedade deste valioso canal de comunicação. Todo trabalho de pesquisa tem o objetivo de trazer a reconstrução do verdadeiro papel da imprensa dentro do cotidiano das pessoas, para que se possa desenvolver caminhos que alicercem a questão cidadã. Apenas desta maneira é que o cidadão terá vez e voz junto ao poder público e conhecerá de fato seus deveres e direitos na sociedade.

Toda comunidade precisa de um canal para exprimir seus anseios e encaminhar suas reivindicações. O veículo que melhor tem cumprido com este objetivo é o jornal comunitário, cujo papel fundamental é servir de meio de expressão e de exercício da cidadania.

Embora cada jornal comunitário tenha a sua especificidade, seja na linha editorial ou comercial, todos buscam ser porta-voz das necessidades de cada região, defendendo direitos e cobrando a responsabilidade das autoridades competentes.

Alguns jornais surgiram como decorrência de uma associação de moradores e amigos do bairro já formada e atuante. Outros, ao contrário, incentivaram a formação desta agremiação. Alguns mantém total independência política, enquanto outros deixam claro sua preferência por candidatos e programas de governo. A maioria enfoca em suas matérias somente o bairro e seus moradores, reduzindo a distância que separa o leitor do poder público e passando a ser um intérprete mais legítimo e participativo da sociedade. Adquire assim, uma função sociológica importante na medida em que o público leitor consegue ver na notícia um instrumento e não um simples atributo de quem a divulga.

O jornal comunitário expressa os impasses e conflitos entre a sociedade civil local e os seus representantes políticos e administradores governamentais buscando e cobrando soluções, com uma maior participação cívica, restaurando um espaço democrático.

A comunicação é, antes de tudo, um bem social e como tal deve chegar ao povo: pura, sem infiltrações ideológicas ou interesses econômicos. O direito à informação é tão prioritário quanto o da alimentação, saúde, educação e moradia.

Estamos habituados a buscar informações em jornais da “grande imprensa”, e esquecemos que existe outro veículo que cumpre esse papel: o jornal de bairro, ou jornal comunitário.

O objetivo principal do jornal comunitário é estabelecer um canal para o povo e pelo povo. É uma publicação voltada para os aspectos da vida em sociedade que compartilha com os leitores uma linguagem próxima de seu cotidiano, e que é capaz de alcançar índices de leitura mais elevados que os veículos tradicionais.

Nos dias de hoje, vivemos em um mundo globalizado e mesmo assim o jornal comunitário ganha cada vez mais importância, afinal, cada vez mais o mundo passa a ser o nosso próprio bairro.

Todos os jornais de bairro possuem um ponto em comum: o desejo de servir à comunidade, muitas vezes sendo porta-voz de anseios, defendendo os direitos e cobrando responsabilidades das autoridades. Uma reclamação feita em parceria entre moradores de um bairro e o seu jornal comunitário, na maioria das vezes leva pouco tempo para ser atendida e receber uma resposta das autoridades competentes. Isto comprova a força e a ampliação que este veículo possui.

Fica difícil imaginar um bairro onde a comunidade não possua um canal para se exprimir e encaminhar suas reivindicações. O jornal de bairro é o veículo que melhor cumpre esse papel, possibilitando trocas constantes de informações, exercício de cidadania e democratização da informação.

*Abertura do livro “Jornal Comunitário – comércio e cidadania integradas no bairro”, Carolina Hilal, Luminária Academia. Texto do jornalista Mauro Franco